On the road...

I've been trying to figure out exactly what it is I need. Called up to listen to the voice of reason and got the answering machine.

june: the worst month of this year

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Incubus

—Echo

Gente que me acha demais, gente que me acha de menos e ninguem me acha do jeito certo. Triste né?

reticencias

Caixa de lenços, a mente vazia de ideias. O coração cheio de desejos, a vida carregada de silêncio. E o silêncio ecoando em todos os cantos desse lugar. Então a pergunta, direcionada a ninguém em específico, porque não há ninguém capaz de responder, quebra a ausência de som. “O que aconteceu com a gente?”. Nos olhos de lágrimas, de profunda tristeza, o que falta pra entender como a gente se perdeu tanto. Não é maldade nos outros, é a maldade na gente. A maldade que nos faz virar a cara e fingir que não aconteceu, até porque não aconteceu com a gente. A maldade de deixar a bondade enfraquecer diante de tanta sujeira, de tanta injustiça. É a gente passar todos os dias por inúmeras pessoas, de diferentes origens, de diferentes bagagens, e não enxergar seus rostos, tratá-las como números ou obstáculos no meio do caminho. É a gente não ter a coragem de dizer que ama quando realmente ama e mentir que ama quando nem se ama tanto assim. É a gente se acostumar com a mentira, com a metade, com a mediocridade. É banalizar a fome, a necessidade, a guerra. É a gente ler o jornal todo dia e se surpreender com uma notícia boa. “O que aconteceu com a gente?”. Quando os psicopatas agem e seus atos são justificáveis por meio do nosso próprio costume de achar que temos sempre que tirar vantagem de tudo, de todo mundo, o tempo inteiro. É a gente voltar do trabalho saturado de poeira e desesperança, acomodado, conformado, sem vontade de mudar nem o ar condicionado, nem o computador quebrado, nem os olhares atravessados, nem a falta de contato. É a gente desaprender a gostar, a amar, e achar que ama quem só nos dedica um pouco de atenção, porque atenção de qualquer pessoa é algo raro. É pensar que todo rapaz que faz balé é gay, que toda moça que joga futebol é lésbica e que todo político é ladrão. É a gente generalizar, fechar a cabeça e deixar que seja assim porque assim é mais fácil de entender. “O que aconteceu com a gente?”. E a falta de respostas silencia tudo outra vez.